Capoeira que transforma: a história da Monitora Delegada e seu projeto que muda vidas no Jardim do Cerrado

Goiânia (GO) – Em cada toque do berimbau, há mais do que música: há histórias, resistências e sonhos sendo construídos. Para Cristina da Silva Borges, conhecida como Monitora Delegada, a capoeira não é apenas um esporte ou uma dança — é um instrumento de transformação social, cultural e pessoal.
Aos 42 anos, mãe de Natálya (19) e Nicolly (9), filha de Maria e José, Cristina carrega no sangue a força da família e no coração a missão de abrir caminhos para quem, muitas vezes, não vê saída.
Da admiração à paixão
Desde criança, Cristina observava as rodas de capoeira nas praças e feiras de Goiânia. Eram encontros vibrantes, cheios de energia, mas foi apenas em 2005 que ela entrou na roda pela primeira vez. Começou com o mestre Pena Negra, mas foi no Grupo Muzenza, guiada pelo professor Nego, que encontrou sua verdadeira casa.
Ali, aprendeu não apenas a jogar, mas a tocar, cantar, compor e liderar. Enfrentou competições nacionais, conquistou o título de campeã brasileira no Pará e o vice na Bahia. Percorreu cidades como Curitiba, Belém, Fortaleza, Belo Horizonte, Uberaba, Paracatu, Rio de Janeiro e São Paulo, sempre levando consigo a força da arte que une corpo, mente e alma.
A música que ecoa além das rodas
Cristina também encontrou na música uma forma de eternizar sentimentos. Suas composições já foram cantadas por amigos em diversas rodas, e uma delas, Bem Mais Além, foi gravada pelo mestre Sabiá, de Pernambuco, e hoje alcança ouvintes nas plataformas digitais. “A capoeira mudou minha vida, me ensinou a caminhar”, canta ela — e vive cada palavra.
Quando a paixão encontra o propósito
Em 2019, Cristina se mudou para o Residencial Minha Casa Minha Vida, no Jardim do Cerrado. Ao olhar para a comunidade, viu não apenas carências, mas oportunidades. Nascia o projeto Capoeira em Casa, um movimento que leva aulas gratuitas para quatro condomínios, alcançando crianças e adolescentes, inclusive PCDs, autistas e jovens com TDAH.
Não se trata apenas de ensinar golpes e cantigas. Trata-se de criar um ambiente onde cada criança se sente vista, valorizada e parte de algo maior. O projeto oferece rodas, eventos, festas temáticas, aniversários, ações de Páscoa, Natal e Dia das Crianças — tudo viabilizado com recursos próprios e doações da comunidade. Até cortes de cabelo gratuitos fazem parte da programação.
Três anos de impacto real
O Capoeira em Casa já completou três anos. Nesse tempo, Cristina coleciona histórias de superação: crianças que ganharam confiança, adolescentes que encontraram disciplina e famílias que redescobriram o valor de estarem juntas.
“Capoeira é muito mais do que movimento físico. É resistência, é cultura, é pertencimento”, afirma. E é justamente essa visão que transforma a roda de capoeira em um círculo de cuidado e esperança.
Um convite à ação
A história da Monitora Delegada mostra que não é preciso esperar por grandes estruturas para fazer a diferença. Um berimbau, um pandeiro e um coração disposto podem mudar destinos.
Quem quiser apoiar o projeto — seja com doações, voluntariado ou parcerias — ajuda a manter viva a tradição da capoeira e a esperança de muitas crianças. Porque, no Jardim do Cerrado, cada toque do berimbau não só conta uma história, mas escreve um futuro melhor.

 

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