Por Edmilson Silveira
Levantamento Quaest aponta MDB e PSDB na dianteira da corrida ao Palácio das Esmeraldas, mas 33% do eleitorado ainda não têm definição; cenário expõe desafio das forças políticas no Centro-Oeste.
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (22) pelo instituto Quaest mostra que a corrida pelo governo de Goiás em 2026 deve ser marcada pela polarização entre Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O levantamento, contratado pela Genial Investimentos, aponta Vilela com 26% das intenções de voto e Perillo com 22%.
Embora numericamente à frente, Vilela aparece tecnicamente empatado com o tucano dentro da margem de erro de três pontos percentuais. O resultado revela que a eleição goiana, a pouco mais de um ano do início oficial da campanha, tende a se desenhar como uma disputa acirrada entre dois grupos políticos que historicamente se alternam no comando do estado.
Além dos dois líderes, Wilder Moraes (PL) soma 10% das intenções de voto, enquanto Adriana Accorsi (PT) aparece com 8%. Telêmaco Brandão (Novo) registra apenas 1%. Entre os entrevistados, 14% se declaram indecisos e 19% afirmam que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas. Ao todo, 1.104 eleitores com 16 anos ou mais foram ouvidos entre os dias 13 e 17 de agosto. O nível de confiança é de 95%. MDB x PSDB: a disputa histórica pelo controle do estado.
A política goiana tem sido marcada, nas últimas três décadas, pelo predomínio de MDB e PSDB. Marconi Perillo governou Goiás em quatro mandatos (1999-2006 e 2011-2018), consolidando uma forte base no interior. Já Daniel Vilela, filho do ex-governador Maguito Vilela, é o atual vice de Ronaldo Caiado (União Brasil) e busca se firmar como sucessor natural dentro do grupo governista.
A presença de Vilela na vice-governadoria fortaleceu sua projeção, sobretudo após a morte do pai, em 2021. Maguito foi prefeito de Goiânia e uma das principais lideranças emedebistas do Centro-Oeste. Daniel tenta herdar esse legado, associando-se ao projeto político de Caiado, que deve disputar a Presidência em 2026.
Marconi, por sua vez, aposta no recall de sua trajetória como gestor, além do apoio de prefeitos e lideranças regionais que ainda orbitam em torno do PSDB, mesmo após o esvaziamento nacional da legenda. Sua volta ao centro da cena política, após alguns anos em baixa, sugere que parte do eleitorado goiano mantém identificação com sua figura.
Fragmentação e indecisos podem definir o pleitoA pesquisa evidencia que o caminho até 2026 ainda é incerto. A soma de indecisos (14%) com eleitores que rejeitam as opções (19%) alcança 33% do eleitorado, o que pode alterar significativamente o quadro nos próximos meses.
Esse percentual elevado reflete tanto a falta de definição de candidaturas quanto a distância temporal em relação ao pleito. Especialistas apontam que, em cenários assim, a consolidação das alianças partidárias e o desempenho dos candidatos durante a pré-campanha são fatores decisivos.
Wilder Moraes (PL) e Adriana Accorsi (PT) tentam se viabilizar como alternativas fora do eixo MDB-PSDB, mas enfrentam dificuldades de capilaridade. Wilder aposta na força do bolsonarismo em Goiás, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém índices elevados de aprovação. Já Accorsi, deputada estadual e delegada de polícia, busca expandir sua base no eleitorado progressista, embora o PT historicamente tenha desempenho limitado no estado.
Cenário nacional e peso de Goiás no tabuleiro político13:00O resultado da pesquisa goiana não pode ser analisado isoladamente. Goiás ocupa posição estratégica no Centro-Oeste e tem peso relevante na articulação de alianças nacionais.
Ronaldo Caiado, governador em segundo mandato e filiado ao União Brasil, desponta como pré-candidato à Presidência em 2026. Seu eventual apoio a Daniel Vilela representaria a tentativa de manter o grupo governista no comando estadual, garantindo palanque sólido em uma das regiões mais conservadoras do país.
Por outro lado, a candidatura de Marconi Perillo reaquece a rivalidade histórica entre MDB e PSDB, podendo atrair alianças de setores da oposição a Caiado e, consequentemente, interferir no xadrez presidencial.
Analistas políticos avaliam que o desfecho em Goiás terá repercussão além das fronteiras estaduais, funcionando como termômetro da capacidade de mobilização do União Brasil, do MDB e do PSDB em 2026.
Polarização deve marcar campanha
Com dois líderes tecnicamente empatados e um eleitorado fragmentado, a eleição tende a ser definida pelo discurso de continuidade ou de retorno. Daniel Vilela se apresenta como herdeiro político de Caiado, defensor da atual gestão e da estabilidade administrativa. Já Marconi Perillo deve apostar na experiência de seus mandatos e no argumento de que pode recolocar Goiás em rota de desenvolvimento com independência em relação ao governo estadual vigente.
Até o momento, a pesquisa mostra que o campo governista parte em vantagem, mas a força de Marconi sinaliza que a oposição tem fôlego. Resta saber como os próximos meses de pré-campanha e a formação de coligações poderão influenciar o humor do eleitorado goiano.
Síntese dos resultados – Intenção de voto para governador de Goiás em 2026:
Daniel Vilela (MDB): 26%
Marconi Perillo (PSDB): 22%
Wilder Moraes (PL): 10%
Adriana Accorsi (PT): 8%
Telêmaco Brandão (Novo): 1%
Indecisos: 14%
Branco/Nulo/Não vai votar: 19%