Moradores do Jardim América pedem reforma e transformação do Cepal em centro cultural

Por Redação

 


O Centro Popular de Alimentação e Lazer (Cepal), localizado no bairro Jardim América, transformou-se em ponto de debate entre moradores, feirantes e lideranças comunitárias. O espaço, criado para ser polo de comércio e convivência, hoje enfrenta problemas estruturais que dificultam tanto a permanência de comerciantes quanto a visita de frequentadores.
Com rachaduras visíveis, instalações elétricas precárias e banheiros em estado de abandono, o Cepal deixou de cumprir plenamente sua função de atrair famílias e oferecer lazer acessível. “O Cepal já foi referência na região. Hoje, muitos evitam vir por falta de condições mínimas de higiene e segurança”, afirma o comerciante Paulo Mendes, que mantém uma barraca de lanches no local há mais de 15 anos.
Reivindicação coletiva
A mobilização em torno da requalificação do espaço ganhou força com a atuação do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Jardim América e Adjacências (IDESJA). A entidade, presidida por Edmilson Silveira, apresentou proposta para que o Cepal seja mais do que um centro de alimentação: a ideia é transformá-lo em um Centro Cultural e de Lazer, sem abrir mão de sua função original de abrigar a feira.
Segundo o projeto, o espaço continuaria a sediar a tradicional feira às quintas-feiras e domingos, mantendo o comércio popular que atrai moradores de toda a região. Já nos dias da semana em que não há feira, o Cepal funcionaria como centro cultural e espaço de eventos comunitários, com programação artística, oficinas, feiras de artesanato e atividades para diferentes faixas etárias.
“O Cepal precisa voltar a ser um espaço vivo, capaz de unir geração de renda, cultura e lazer. Nossa proposta é integrar o comércio já existente com atividades culturais, biblioteca comunitária e um calendário de eventos que contemple tanto a juventude quanto a terceira idade”, afirma Edmilson Silveira, presidente do IDESJA.
Impacto urbano e social
Especialistas em urbanismo apontam que a proposta segue tendência de reaproveitamento de equipamentos públicos para usos múltiplos. “Espaços ociosos ou degradados, quando repensados com funções culturais, passam a atrair novos públicos e fortalecem o comércio local. É uma medida que dialoga com políticas de inclusão social”, explica a urbanista Maria Clara Ferreira.
Para os moradores, o impacto vai além da infraestrutura. A dona de casa Célia Rocha, moradora do Jardim América há três décadas, diz que a reforma representaria “resgate da autoestima da comunidade”. Segundo ela, famílias deixaram de frequentar o espaço, especialmente nos fins de semana, por falta de segurança e opções de lazer.
Próximos passos
O IDESJA deve protocolar formalmente o pedido de reforma junto à vereadora Daniela da Gilka ainda neste semestre, com abaixo-assinado que já reúne centenas de assinaturas de moradores. O objetivo é pressionar o poder público a incluir a obra no orçamento de 2026.
A proposta de transformar o Cepal em Centro Cultural e de Lazer, conciliando feira e eventos, também prevê parcerias com escolas, associações de bairro e artistas independentes. A expectativa é de que o espaço possa sediar shows locais, aulas de música e dança, além de oferecer estrutura para pequenas empresas de alimentação e iniciativas culturais.
Para a comunidade, a requalificação do Cepal é vista como símbolo de uma luta maior: o direito a um espaço público de convivência digno, que promova integração social, desenvolvimento econômico e acesso à cultura.

Compartilhe:

Notícias recentes